ACOLHIMENTO À CRISE NA REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL DE MATO GROSSO: DESAFIOS E ENFRENTAMENTOS
Resumo
Este artigo objetiva entender como se dá o acolhimento à crise pelos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), de um município de médio porte do Mato Grosso. Em específico, problematiza quais desafios se entrelaçam a esse cuidado e quais possíveis estratégias de enfrentamento os profissionais constroem. Para tanto, realizamos sete entrevistas semiestruturadas com os profissionais dos equipamentos que compõem a RAPS. A partir do aporte teórico-metodológico da análise do discurso de Michel Foucault e da ferramenta de incidentes críticos de Dolores Galindo, levantamos e discutimos como incidentes: (1) Da doença mental ao surto: entendimentos sobre crise pelos profissionais que diz sobre as concepções acerca do conceito de crise; (2) Estruturando e tecendo a Rede de Atenção Psicossocial em Mato Grosso, que diz sobre a educação continuada e/ou capacitações, espaço físico, ausência de profissionais e alta rotatividade e o (3) Acolhimento e Manejo à crise do referido município ao que refere aos aspectos voltados ao entendimento do conceito de crise, interlocução da equipe e compartilhamento do cuidado na Rede, no qual visualizamos que nos discursos dos profissionais a ideia de crise está associada ao surto e à doença a partir de uma perspectiva biomédica. Como considerações finais, debatemos que é essencial que os profissionais inseridos na rede de saúde mental construam uma perspectiva do que é crise a partir dos ideários técnico-teóricos da atenção psicossocial, bem como trabalhem no viés da interdisciplinaridade, se pautando na clínica ampliada e compartilhada.
Palavras-chaves: Atenção à Crise; Psicologia; RAPS; Acolhimento.