ASPECTOS PSICOLÓGICOS, SOCIAIS E PRÁTICAS RELACIONADAS A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NO BRASIL: POSSÍVEIS REPERCUSSÕES PARA AS MULHERES.
Resumo
RESUMO
A presente pesquisa teve por objetivo analisar aspectos psicológicos, sociais e as práticas relacionadas a violência obstétrica no Brasil e suas possíveis repercussões para as mulheres, para tanto foram utilizados relatos de experiência do parto publicados na plataforma Youtube nos últimos cinco anos. Cinco vídeos foram selecionados para análise a partir dos critérios de inclusão e exclusão, tais vídeos foram transcritos e por meio da categorização de temas em comum entre eles foram identificadas três categorias que permitiam explorar e responder o problema da pesquisa. Nos relatos em questão, apareceram diversas práticas relacionadas a violência obstétrica: uso de medicações e imposição de intervenções não autorizadas pelas mulheres; abuso físico, verbal e negligência de cuidados. O modo como tais questões foram narradas pelas mulheres convocou à discussão acerca da ideia de poder atrelado ao médico, sobre o lugar social da mulher que usualmente é conectado à ideia desta como subjugada, passiva, destituída de direitos e voz mesmo em procedimentos que incidem sobre seus próprios corpos e o papel da Psicologia frente a isso. Verifica-se, portanto, que a violência obstétrica constitui-se como fenômeno complexo que afeta a mulher de diferentes maneiras e requer atenção da sociedade e profissionais de saúde na prevenção de sua ocorrência. Nesse sentido, a Psicologia inserida no campo da saúde, atenta a esta questão, e atuando em uma perspectiva biopsicossocial, pode prestar suporte à mulher em vários níveis de atenção, durante o pré-natal psicológico, parto e pós-parto no acompanhamento psicológico direto a ela e sua família, assim como no incentivo a comunidade na participação e controle social no tocante às políticas públicas, no debate acerca das práticas de saúde e sobre o lugar da mulher na sociedade, desenvolvimento de projetos e pesquisas acerca da temática.
Palavras-chaves: Parto; Violência Obstétrica, Psicologia