A EPIGENÉTICA COMO FATOR DESENCADEANTE NOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Resumo
A epigenética refere-se a alterações hereditárias na expressão gênica que ocorrem sem
alterações na sequência do DNA. Esta, correlaciona as influências genéticas e os insultos
ambientais, as exposições a toxinas, que são considerados fatores importantes para o
desenvolvimento do fenótipo do organismo, visto que alteram a remodelação da cromatina,
metilação do DNA e a síntese de RNAs. A ansiedade é descrita como uma experiência somática
e psicológica desagradável, é classificada como uma manifestação fisiológica perante a algum
tipo de ameaça, essa resposta adaptativa é para promover a sobrevivência e segurança do
indivíduo. A sua origem é complexa e peculiar para cada indivíduo envolvendo a combinação
complexa de fatores genéticos, ambientais, sociais e biológicos. O objetivo principal desta
revisão foi explorar e sistematizar dados da literatura científica para uma compreensão
aprofundada do impacto da epigenética nos transtornos de ansiedade. Para isso, foram
analisadas evidências científicas que descrevem a interação entre fatores genéticos e
epigenéticos que determinam um maior risco de desenvolvimento dos transtornos, bem como
foram discutidos os mecanismos epigenéticos envolvidos em indivíduos diagnosticados com
transtornos de ansiedade. Para a realização desta revisão sistemática da literatura, foram
considerados artigos publicados entre 2010 – 2023, e utilizou-se a estratégia PICOS para
conduzir a pergunta do projeto de pesquisa. As pesquisas foram realizadas nas bases de dados
eletrônicos: PubMed, Portal Regional da BVS e Science Direct com descritores em Ciência da
Saúde (DeCS). Foram incluídos no estudo 34 artigos após leitura de texto completo e
avaliados de acordo com os critérios de exclusão e inclusão definidos. Esta revisão
demonstrou que 69,4% dos artigos relacionavam a epigenética nos transtornos de ansiedade
daqueles indivíduos expostos a situações estressante durante a vida, 16,5% dos artigos eram
inconclusivos sugerindo mais estudos e 14,1% dos artigos não relacionavam a influência da
epigenética nos transtornos de ansiedade. Diante disso, é possível concluir que há influência da
epigenética nos transtornos de ansiedade. Embora há avanços significativos nos estudos pré-
clínicos e clínicos, a investigação dos potenciais fatores de risco para a ansiedade está em
estágios iniciais, principalmente considerando os transtornos de ansiedade multifatorial tornase desafiador para alcançar um consenso estabelecido. Os estudos relacionados à epigenética,
interação gene-ambiente e mecanismos epigenéticos têm um enorme potencial para a
compreensão de diversos fatores de risco, aumento da susceptibilidade à doença, sua
progressão e tratamento.
PALAVRAS-CHAVE: Epigenética, Transtornos de ansiedade; Interação gene-ambiente.