SOMBREAMENTO DE EDIFÍCIOS VERTICAIS: EFEITOS SOBRE O FATOR DE VISÃO DE CÉU E A EXPOSIÇÃO SOLAR
Palavras-chave:
Modelagem Sky View Analysis, Planejameto Urbano Sustentavel , Sombreamento Urbano.Resumo
A acelerada urbanização em cidades de médio porte, como Cuiabá–MT, tem intensificado os processos de verticalização, resultando em transformações significativas na morfologia urbana e nos padrões de incidência solar. Nesse contexto, este estudo investigou os impactos do sombreamento decorrente da geometria urbana, utilizando o Fator de Visão do Céu (FVC) como indicador da obstrução do céu e da porção visível entre os blocos edificados. O objetivo consistiu em analisar como a configuração urbana influenciou os padrões de sombreamento ao longo do dia e das estações do ano, bem como discutir a aplicação desses resultados no planejamento urbano. A pesquisa foi desenvolvida a partir da análise de dois condomínios residenciais verticais em Cuiabá–MT, considerando os solstícios de inverno e verão. As análises de sombreamento foram realizadas por meio de modelagem tridimensional nos horários de 10h, 13h e 15h, utilizando o software SketchUp, enquanto os valores de FVC foram obtidos com o uso do plugin Sky View Analysis. Complementarmente, foram analisados dispositivos da legislação urbanística vigente à época de aprovação dos empreendimentos, a fim de contextualizar os resultados frente aos parâmetros normativos de ocupação do solo. Os resultados evidenciaram que o sombreamento urbano foi fortemente condicionado pela orientação das fachadas, pela trajetória solar sazonal e pela configuração morfológica dos empreendimentos. Observou−se maior variabilidade temporal nas fachadas Leste e Oeste, enquanto as fachadas Norte e Sul apresentaram comportamento mais estável ao longo do dia. Destacou-se a fachada Oeste no período da tarde como a mais sensível às variações de incidência solar. A análise do FVC revelou que arranjos com maior abertura do céu tenderam a apresentar maior exposição à radiação solar, enquanto configurações mais confinadas apresentaram predominância de sombreamento. Os resultados reforçaram a importância da morfologia urbana na modulação do acesso à radiação solar, indicando que parâmetros como afastamento entre edificações, altura dos blocos e proporção dos espaços interedificados devem ser considerados no planejamento urbano, especialmente em contextos de verticalização crescente.